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Sidão e a 'humilhação'

Incrível como dia após dia o brasileiro vem perdendo a capacidade de rir de si mesmo e dar a volta por cima.

13/05/2019 às 02:52

Reprodução TV Globo

Uma das formas de interação com o telespectador criada pela Rede Globo de Televisão para as transmissões do campeonato brasileiro é a escolha pelo público do Craque do Jogo em votação pela Internet.

No último final de semana, após levar 3 gols em uma atuação ruim, o goleiro Sidão, do Vasco, com 90% dos votos, foi eleito o Craque do Jogo na partida de seu Clube contra o Santos.

O atleta, no melhor estilo “fair play” recebeu o prêmio de uma constrangida repórter e a internet veio a baixo criticando a humilhação a que o atleta teria sido exposto.

A repercussão foi tão forte que a Globo decidiu por alterar as regras de escolha do Craque do Jogo.

É imprescindível destacar que a Globo agiu corretamente ao cumprir as regras do “concurso” que ela própria criou e entregar o troféu.

Pela atuação do Sidão, foi nítido que os telespectadores, no melhor estilo ousadia e alegria do brasileiro, aproveitaram a situação para uma grande piada.

E a situação deveria ter sido tratada por todos como uma grande piada da internet como uma série de outras que bombam nas redes sociais.

Mas, não, a grande patrulha do politicamente correto resolveu problematizar o Craque do Jogo.

Há de se destacar que Sidão não é nenhum coitadinho, pois trata-se do goleiro titular de um dos maiores clubes do Brasil e, seguramente, possui um salário que menos de 0,2% da população brasileira recebe.

Os anos 80 e 90 foram o auge dos maiores programas de humor do Brasil sem que as pessoas fossem além do que eles tratavam: piada.

O Íbis/PE entrou para história do futebol mundial ao aceitar a alcunha humorística de pior time do mundo.

Incrível como dia após dia o brasileiro vem perdendo a capacidade de rir de si mesmo e dar a volta por cima.

A internet foi invadida pelos jovens adultos nascidos nesse século que, segundo estudos ingleses compõem a Generation Snowflake  (Geração Floco de Neve).

Segundo Claire Fox, aqueles que fazem parte da Geração floco de neve "são realmente angustiados por ideias contrárias à sua visão de mundo" . Segundo a pesquisadora inglesa: “Um enigma se apresenta quando se trata de Generation Snowflake: como sua hipersensibilidade aparente é frequentemente combinada com um senso de direito quase beligerante”.

Para a geração floco de neve nada é mais absurdo do que apontar e reconhecer erros, pois eles tendem a não admitir os próprios erros e sempre justifica-los como culpa dos outros. 

E são os membros dessa geração que encabeçam a grande patrulha politicamente correto que buscam problematizar e beligerar qualquer situação que saia da sua visão de mundo.

O goleiro Sidão pode não ter tido uma grande atuação, como acontece com toda e qualquer pessoa em um dia ruim, mas cabe a ele reconhecer os erros, se reinventar e dar a volta por cima e não, como insinua a internet, sentir-se humilhado e vítima do mundo.

Ninguém quis humilhá-lo, mas, apenas, fazer uma grande piada com um profissional que tem na sua atividade exibição pública (e recebe direito de arena por isso) e que pode ser exaltado quando joga bem ou motivo de piadas e críticas quando joga mal.

A repórter não deveria ter se constrangido, poderia ter feito da entrega do prêmio uma limonada com frases de efeito e bom humor, tal como fez o grande Galvão Bueno quando o “Cala a Boca Galvão” viralizou.

Ao invés de se vitimizar, Galvão fez piada de si mesmo ao vivo em seu programa e, ainda, escreveu um livro de nome “Fala Galvão!”.

Se Sidão hoje é visto como “humilhado” a culpa é total da patrulha do politicamente correto que fez de uma zoeira da internet um grande problema.

No que tange à Globo, se ela acertou ao entregar o prêmio, ela errou ao mudar o prêmio. Ora, a ideia era dar voz ao telespectador. Com a mudança, perde a interatividade e, principalmente censura-se o seu público que tem o direito de, ainda que por zoeira, entregar o prêmio de Craque para o pior em campo.

Preocupa muito esse movimento de problematização do futebol. Se o atleta dribla demais, quis humilhar. Se o atleta promete gol, menosprezou o adversário. Se o atleta comemora gol com dancinha, incitou ódio. Se a torcida entoa cânticos de guerra e músicas engraçadas, incita a violência.

Enfim, que os membros das gerações nascidas e criadas nos anos 80 ajudem, na educação dos seus filhos, a trazer de volta a alegria e a ousadia para o cotidiano do nosso futebol.

Por fim, que o Sidão faça desse “prêmio” o que o goleiro Fábio fez do “Gol de Costas”, treine, mas treine muito e torne-se o maior goleiro da história do seu clube um dos maiores da história do Brasil.

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     https://www.collinsdictionary.com/dictionary/english/snowflake-generation
     http://www.spectator.co.uk/2016/06/generation-snowflake-how-we-train-our-kids-to-be-censorious-cry-babies/
     https://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/comportamento/geracao-floco-de-neve-jovens-que-se-ofendem-por-pouco/

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