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Prosa Poética, no programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: 'De Onde vem as palavras?'

Por Por Mary Arantes, 19/07/2019 às 15:37
atualizado em: 22/07/2019 às 17:43

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Foto: Imagem Ilustrativa
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Sigo ao pé da letra a frase do Lavoisier: “na natureza nada se perde, tudo se transforma”. Costumava dizer que ficaria sem comer, mas não ficaria sem flores em casa, hoje aposentada, tive que passar alguns arranjos pra “mói de rama”, como diz Melissa, uma querida que me ensinou que arranjos de folhas, duram mais. 

Dia desses, estava reorganizando um arranjo, pela enésima vez e eis que Ciene me diz: Dona Mary a senhora não acha que essas flores já estão muito “espendongadas”? Nunca tinha ouvido essa palavra na minha vida, e o mais interessante é que entendi exatamente o que significava. Fui ao dicionário e encontrei espandongado, que significa amachucado, que também não conhecia, ou seja, aprendi com o erro da Ciene.

Um funcionário de uma amiga, quando dizemos a ele obrigada, ele responde, de nado, pois acredita que a resposta ao obrigada e obrigado, é também dita no feminino e no masculino. 

Meu marido diz cascar laranja, achava que ele falava errado, até me certificar que no Triângulo Mineiro dizem cascar, em vez de descascar, e está certíssimo assim. 

A língua é viva e vai mudando, acompanha o ritmo do tempo, palavras se tornam obsoletas, esquecidas. Muitos nem sabem o que significa quarar uma roupa. 

Jequitinhonha, você sabe o significado dessa palavra? A palavra onha significa peixe e jequi significa balaio. Os índios perguntavam uns pros outros: No jequi tem onha? Ou seja, no balaio tem peixe? 
A palavra cordel por exemplo vem de cordão, pois os livros de literatura de cordel ficavam expostos nas feiras populares, num cordão esticado.  

Com o filósofo Cortella e seus textos sobre etimologia das palavras (a origem delas), aprendi que a palavra trabalho vem do vocabulário latino tripalium, que era um instrumento de tortura. Por isto aclamamos pela sexta-feira, pois relacionamos trabalho á castigo. E por falar em trabalho, conheci recentemente um rapaz, trabalhador, inteligente, mas que não sabe ler nem escrever. Saiu de casa aos 10 anos, foi trabalhar numa fazenda, cuidava do gado, aos 14 já era pai, e cadê tempo pra estudar?! Foi pro beleléu! Não é à toa que o trabalho infantil é abominado, pois tudo tem que ter seu tempo. Hoje, nem carteira de motorista ele pode tirar, isto sem falar em atos diários, como escrever uma mensagem no WA, ler o nome do ônibus que vai tomar. Triste saber que o analfabetismo persiste.

Dedico essa crônica, infelizmente, à mais de 11 milhões de Robsons no Brasil, um país em que cultura e saúde, tinham que ser direito de todos e não privilégio de poucos!

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